ImagemPor Lukas Ogorodnik

O Cryptococcus neoformans é a forma assexuada do basidiomiceto Filobasidiella neoformans, levedura encapsulada de grande importância na micologia médica por ser agente etiológico da criptococose. Pode causar meningocefalite em indivíduos normais, porém mais frequentemente em pacientes com AIDS, leucemia, linfoma, lúpus eritematoso sistêmico, doença de Hodglin ou sarcoidose, e em beneficiários de transplantes. Muitos desses pacientes recebem corticoesteróides em altas doses, um fator de risco importante para infecção por Cryptococcus.

PATOGENIA

. A variedade neoformans tem distribuição cosmopolita relacionada a solos contaminados naturalmente com excretas de aves. A principal fonte de contaminação do fungo nos seres humanos são as fezes de pombos, onde o fungo permanece viável para contágio por um período de até dois anos. Essa variedade tem a capacidade de colonizar a mucosa do papo dos pombos sem causar doença, sendo um parasita natural dessas aves. A universalidade e a peculiar adaptação dos pombos aos centros urbanos relacionam-se com a ubiqüidade desse agente fúngico, que é facilmente isolado de fontes ambientais, inclusive de poeira domiciliar. A infecção por C. neoformans é adquirida através da inalação dos propágulos do ambiente, na forma de leveduras, menores que 2µm de diâmetro.

Três propriedades do C. neoformans estão associadas à virulência: (1) o polissacarídeo capsular, uma molécula de superfície que se cora de vermelho-brilhante com mucicarmim nos tecidos, cora-se negativamente nas preparações com tinta nanquin no LCR e é detectável com contas revestidas de anticorpos no LCR; (2) resistência a destruição por macrófagos alveolares; e (3) produção de fenol-oxidase; essa enzima consome epinefrina do hospedeiro na síntese de melanina fúngica, protegendo assim o fungo do sistema oxidativo de epinefrina presente no Sistema Nervoso do hospedeiro. Uma possível razão pela qual o C.neoformans infecta preferencialmente o cérebro é que o LCR carece de componentes da via alternativa do complemento (presentes no soro) que se ligam à cápsula de carboidrato e facilitam a fagocitose e destruição por células polimorfonucleares.

MORFOLOGIA

            Embora o pulmão seja a área primária de localização, a infecção pulmonar por C.neoformans geralmente é leve e assintomática, até mesmo quando o fungo se propaga para o SNC. Contudo, o C.neoformans pode formar um granuloma pulmonar solitário semelhante às lesões numulares causadas pelo Histoplasma. A principal alteração patológica do C.neoformans reside no SNC, incluindo as meninges, substância cinzenta cortical e núcleos da base. A resposta tecidual aos criptococos é extremamente variável. Em pacientes imunossuprimidos, os microorganismos não podem suscitar praticamente nenhuma reação inflamatória; assim, massas gelatinosas de fungos crescem nas meninges ou em pequenos cistos dentro da substância cinzenta( lesões em bolhas de sabão;(fig.1) como se fosse um meio de cultura. Em pacientes não-imunossuprimidos ou naqueles com doença prolongada, os fungos induzem uma reação granulomatosa crônica composta de macrófagos, linfócitos e células gigantes do tipo corpo estranho. Também podem ocorrer neutrófilos e supuração, bem como uma rara arterite granulomatosa do polígono de Willis. Nos indivíduos intensamente imunossuprimidos, o C.neoformans pode disseminar-se amplamente para a pele, fígado, baço, supra-renais e ossos.

BIBLIOGRAFIA

Patologia Estrutural e Funcional, Robbins sexta edição

Prevalência de Cryptococcus neoformans nos pombos urbanos da cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, J. Bras. Patol. Med. Lab. vol.40 no.5 Rio de Janeiro Oct. 2004