Por Isabela S. P. Casagrandi

A lepra, ou doença de Hansen, é uma infecção lentamente progressiva causada pelo Mycobacterium leprae afetando pele e nervos periféricos resultando em deformidades incapacitantes.

A lepra atualmente permanece endêmica entre estimados 10 a 15 milhões de pessoas vivendo em países tropicais pobres

Transmissão:

O M. leprae fica contido dentro da pele, no entanto, é transmitido de pessoa para pessoa através de aerossóis de lesões no trato respiratório superior. Esse microrganismo é inalado e levado pelos macrófagos alveolares disseminando-se através do sangue, porém cresce em regiões relativamente frias da pele e extremidades.

Patogênese:

O M.leprae é um microorganismo obrigatoriamente intracelular, cresce mais lentamente que outras micobactérias especialmente entre 32°C e 34°C, a temperatura da pele humana e temperatura corporal do tatu, onde costuma de desenvolver também.

M. leprae não secreta nenhuma toxina e sua virulência é dada por sua parede celular.

Morfologia:

A hanseníase tem dois padrões evidentemente diferentes de doença, uma menos grave e outra mais grave.

Lepra tuberculóide:

Começa com lesões cutâneas localizadas planas e avermelhadas aumentando e tomando formas irregulares com margens endurecidas, elevadas, hiperpigmentadas com centros pálidos e rebaixados (cicatrização central). Há envolvimento neuronal com reações inflamatórias granulomatosas e em casos de degeneração dos nervos há anestesia cutânea e atrofia cutânea e muscular. O envolvimento do nervo facial pode levar á paralisia das pálpebras levando a ceratite e ulceração da córnea

Ao microscópio as lesões granulomatosas se assemelham ás encontradas na tuberculose. Há presença de granuloma e ausência de bactérias, refletindo a forte imunidade da célula T

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A – Nervo periférico. Observe os infiltrados celulares inflamatórios nos compartimentos endoneural e epineural.

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B-Célula dentro do endoneuro contém bacilos ácido-resistentes positivos.

Lepra lepromatosa:

Envolve pele, nervos periféricos, câmara anterior do olho, vias aéreas superiores, testículos, mãos e pés

 As lesões contêm grandes agregados de macrófagos carregados de lipídeos (células leprosas) que podem estar preenchidas com bacilos ácido resistentes.

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As lesões maculares, nodulares e papulares formam-se na face, nos ouvidos, punhos, cotovelos e joelhos. Com o tempo as lesões coalescem e produzem uma face leonina distinta.A maioria das lesões cutâneas é hipoertésica ou anestésica; há perda de sensibilidade e alterações tróficas em mãos e pés acompanhando as lesões nervosas

Nos linfonodos há agregação de macrófagos espumosos nas áreas paracorticais com aumento do centro germinativo

Na doença avançada os agregados de macrófagos estão presentes na polpa vermelha esplênica e no fígado enquanto os testículos são extensivamente envolvidos com destruição dos túbulos seminíferos e conseqüente esterilidade.

Bibliografia:

Robbins SL, Cotran SR, Kumar V; Abbas A, Fausto N, Aster J. Bases Patológicas das Doenças. Rio de Janeiro: Elsevier, 7ª Ed.