Por Matheus Zschornack Strelow

Introdução

A doença de Alzheimer é uma doença degenerativa que compromete preferencialmente o córtex cerebral com perda progressiva de neurônios, cujas manifestações cognitivas e neuropsiquiátricas resultam em deficiência progressiva e incapacitação. Foi descrita pela primeira vez pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer.

Semiologia

Sua principal manifestação clínica é a demência, ou seja, perda progressiva da função cognitiva independente do estado de atenção. A doença de Alzheimer começa com alterações do humor e do comportamento, sendo muitas vezes confundidas com situações de estresse, e, então, a perda da memória de curta duração torna-se notável, e uma menor perda da memória semântica e da memória implícita. Acontece também uma desorientação progressiva, agnosia, apraxia. Com o passar dos anos, a afasia se torna evidente por perda da memória semântica. Aproximadamente 30% dos pacientes apresentam ilusões e sintomas relacionados. Em cinco a dez anos após o início da doença o paciente se torna incapacitado, mudo e imóvel, completamente dependente de outras pessoas.

Epidemiologia

É a causa mais comum de demência em idosos, sendo duas vezes mais comum que a demência vascular. Começa normalmente após os 50 anos de idade e a prevalência dobra a cada cinco anos. Atinge 1% dos idosos com idade de 65 a 70 anos, 6% dos 70 aos 80, 30% dos 80 aos 90 e, acima dos 90 anos, chega a 60% de prevalência. A maioria dos casos é esporádica, porém pelo menos 5 a 10% dos casos sejam familiares. Alterações patológicas vistas no Alzheimer são encontradas em quase todas pessoas com trissomia 21 que sobrevivem além dos 45 anos de idade e o declínio de cognição acontece em muitos.

Diagnóstico

É necessário o exame patológico do tecido cerebral para o diagnóstico de Alzheimer, porém a avaliação clínica e os métodos radiológicos são suficientes para 80 a 90% dos casos. No diagnóstico patológico é necessária uma correlação da sintomatologia clínica versus o exame de imagem, pois há placas senis (em menor extensão) presentes em pessoas não demenciadas.

Patologia

À morfologia macroscópica mostra um grau variado de atrofia cortical, com alargamento dos sulcos cerebrais mais pronunciados nos lobos frontais, temporais e parietais. Com isso, há alargamento compensatório dos ventrículos

À morfologia microscópica, há placas senis (neuríticas), aglomerados neurofibrilares e angiopatia amilóide. As placas senis são coleções focais esféricas de expansões neuríticas dilatadas e tortuosas, coradas pela prata freqüentemente em volta do núcleo central amilóide, que pode ser circundado por um halo claro. Células microgliais e astrócitos reativos são presentes na sua periferia. As placas podem ser encontradas no hipocampo e na amígdala, bem como no neocórtex, embora haja uma preservação relativa do córtex motor e do sensitivo primário.

O núcleo amilóide, que pode ser corado pelo vermelho congo I, contém proteínas anormais formadas a partir da beta2 globulina, um peptídeo derivado por eventos de processamento específicos de uma molécula maior. Outras proteínas estão presentes na placa em menor quantidade como citocinas pró-inflamatórias, alfa1-antiquimiotripsina e apolipoproteínas.

As placas senis (ou neuríticas) são depósitos de peptídeos amilóides nas lesões sem reações neuríticas. São encontradas nas porções superficiais do córtex cerebral, e também nos núcleos da base e no córtex cerebelar. Elas, aparentemente, representam um estágio precoce da Doença de Alzheimer. Em algumas áreas do cérebro elas se apresentam como principal manifestação da doença e podem causar diferentes sintomatologias nos indivíduos.

Os aglomerados neurofibrilares são feixes de filamento no citoplasma que deslocam ou circundam o núcleo. Não são específicos da doença de Alzheimer, sendo encontrado também em neurites distróficas. São visíveis como estruturas fibrilares basofílicas ao HE, porém mais bem demonstrados pela coloração com o prata (Bielschoswsky). Presentes nos neurônios corticais, especialmente no núcleo entorrinal, mas também nas células piramidais do hipocampo, na amígdala, na parte basal do prosencéfalo e os núcleos da rafe. Nos neurônios piramidais, eles têm uma forma de “chama” alongada, enquanto nas células mais arredondadas adquiri uma forma mais arredondada. Os aglomerados neurofibrilares são insolúveis e aparentemente resistentes a eliminação in vivo e mantêm-se nos tecidos muito depois de sua morte.

Eles são compostos por filamentos helicoidais pareados com alguns filamentos retos. Um componente importante dos filamentos helicoidais pareados é a proteína tau anormalmente hiperfosforiladas, associada ao microtúbulo axonal que reforça a montagem dos microtúbulos.

A angiopatia amilóide cerebral é uma acompanhante quase inevitável da doença de Alzheimer, porém também é encontrada em indivíduos sem a doença.

Ainda na doença de Alzheimer são encontrados degenerações granulovacuolares, pequenos vacúlos intraneuronais com grânulo argirofílico, além de corpos de Hirano (corpos eosinofílicos alongados e vítreos, encontrados mais comumente nas células piramidais), este especialmente presente no Alzheimer.

Referências

http://www.institutopaulobrito.com.br/pdf/patologia.pdf

Robbins SL, Cotran SR, Kumar V, Abbas A, Fausto N, Aster J. Bases Patológicas das Doenças. Rio de Janeiro: Elsevier, 7° edição.

McGeer PL, Schulzer M, McGeer EG. Arthritis and anti-inflammatory agents as possible protective factors for Alzheimer’s disease: a review of 17 epidemiologic studies. Neurology, 1996

SERENIKI, Adriana; VITAL, Maria Aparecida Barbato Frazão. A doença de Alzheimer: aspectos fisiopatológicos e farmacológicos.Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul,  Porto Alegre,  v. 30,  n. 1,   2008