Por Luisa C. Zanluca Bertoli

O cálculo renal (ou urolitíase, calculose urinária, nefrolitíase, e popularmente chamado de “pedra no rim”) é uma massa densa formada por cristais urinários, de diversas origens, consolidados. Isso ocorre mediante diversos fatores que alteram a concentração urinária. Cálculos renais podem se formar em qualquer nível do sistema urinário, mas a maior parte se origina no rim. Sua formação também é influenciada por predisposição familiar e hereditária.

 

Epidemiologia:

A litíase do trato urinário apresenta distribuição mundial, sendo mais frequente em países de clima quente. É frequente, e acomete 5-10% dos norte americanos ao longo da vida. Homens são mais afetados, e tem como idade de pico entre os 20 e 30 anos de idade. A doença apresenta caráter recidivante: estima-se que a recidiva dos cálculos ocorra em 50% dos pacientes não tratados entre cinco e dez anos, e o tratamento clínico pode reduzir a recorrência pela metade.

 

Morfologia:

Maioria (80%) unilateral. Formam-se preferencialmente dentro dos cálices renais, das pelves e da bexiga. Se formados na pelve, tendem a permanecer pequenos (2-3mm). Podem ser lisos ou irregulares com espículas pontiagudas.

Os chamados cálculos coraliformes são volumosos, formando um molde dos cálices e pelve, e normalmente precisam de excisão cirúrgica.

   

 

Causa e patogênese:

O determinante mais importante para formação de cálculos é uma concentração urinária aumentada dos seus constituintes, causando supersaturação do componente na urina (excede sua solubilidade). Embora todos contenham uma matriz orgânica de mucoproteína, os cálculos variam na sua composição e podem ser divididos em 4 tipos:

 

  • De oxalato de cálcio (70%)
Compostos por oxalato de cálcio, são radiolúcidos, são os mais frequentes e têm vários fatores relacionados à sua formação.Em 55% dos casos, associam-se a hipercalciúria sem hipercalcemia, por exemplo na hiperabsorção de cálcio pelo intestino ou em dano na reabsorção tubular renal.Em 20%, associam-se a secreção aumentada de ácido úrico, com ou sem hipercalciúria.Em 5%, são associados a hipercalcemia e hipercalciúria, como no hiperparatireoidismo e sarcoidose.
Em 5%, estão associados à hiperoxalúria (hereditária ou adquirida).
A hipocitratúria também está relacionada com a formação desse tipo de cálculo.
Também podem ser de origem idiopática. 

  • Triplos ou de estruvita (15%)

Compostos por fosfato, amônio e magnésio. São formados após infecções bacterianas que convertem ureia em amônia. São maiores em tamanho, por normalmente a quantidade de ureia excretada ser enorme. Os cálculos coraliformes são quase sempre decorrência de infecção.

 

  • De ácido úrico (5 a 10%)

São radiolúcidos. Comumente associados a hiperuricemia (ex: gota e leucemias), mas em mais da metade dos pacientes com cálculo e ácido úrico não tem hiperuricemia, nem concentração aumentada de ácido úrico na urina.O pH da urina baixo é uma predisposição a esse tipo de cálculo.

 
  • De cistina (1 a 5%)

Causados por defeitos genéticos na reabsorção renal de aminoácidos (cistina). Cursam com cistinúria e pH urinário baixo.

 

Aspectos clínicos:

Podem ser sintomáticos ou assintomáticos. Tem importância pela possibilidade de obstrução do fluxo urinário e de gerarem ulcerações e sangramentos.

Os menores geralmente são mais perigosos, por conseguirem passar pelos ureteres, podendo causar cólicas intensas ou obstrução ureteral. Cálculos maiores são mais silenciosos, manifestando-se primeiramente pela hematúria.

Os cálculos podem predispor infecções, tanto pela provável obstrução, quanto pelo trauma que podem causar.

A associação da litíase urinária com diabetes melitos, síndrome metabólica e obesidade está bem estabelecida.

A tomografia computadorizada helicoidal sem contraste é o padrão-ouro atualmente no diagnóstico da litíase urinária. A terapia expulsiva, baseada na administração de bloqueadores alfa adrenérgicos, contribui para aumentar a eliminação de cálculos ureterais menores que 8mm e reduzir o número de episódios de dor dos pacientes.

 

Referências:

MAZZUCCHI, Eduardo  and  SROUGI, Miguel. O que há de novo no diagnóstico e tratamento da litíase urinária?. Rev. Assoc. Med. Bras. [online]. 2009, vol.55, n.6, pp. 723-728. ISSN 0104-4230.

Kumar,V; Abbas, A. K; Fausto, N. Robbins & Cotran:Patologia -Bases Patológicas das Doenças. 8ª Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. 

http://www.calculorenal.org/calculo-coraliforme.htm