Por Fernanda Panazzolo Zenatto

O apêndice não tem função conhecida nos adultos, possuindo a mesma estrutura histológica do trato gastrointestinal (túnicas serosa/adventícia, muscular, submucosa e mucosa). Em pessoas mais jovens, o apêndice possui uma quantidade significativa de tecido linfoide, que se atrofia com o avançar da idade.

As doenças do apêndice são expressivas na prática cirúrgica e, dentre elas, a mais comum é a apendicite. Hoje em dia, a grande maioria dos pacientes são diagnosticados no início da evolução da doença e submetidos à apendicectomia precoce sem maiores complicações.

A apendicite é mais frequente em adolescentes e adultos jovens, apesar de poder ocorrer em qualquer faixa etária. A inflamação ocorre por uma obstrução da luz apendicular, que ocorre por hiperplasia acentuada dos folículos linfoides, por um fecalito, por um cálculo ou por um tumor.

Apendicite Supurativa e Fecalito (Fonte: http://www.flickr.com/photos/21958638@N03/2451031013/)

A pressão intraluminal aumenta no segmento obstruído té causar colapso das veias de drenagem, favorecendo uma lesão bacteriana, introduzindo um edema inflamatório e exsudação, deteriorando ainda mais o suprimento sanguíneo.

Contudo, uma quantidade diminuta de apêndices inflamados não apresenta obstrução luminal e a patogenia desses casos de apendicite é desconhecida.

(Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-39842007000300012&script=sci_arttext)

Na fase mais precoce da apendicite, existe escassa exsudação neutrofílica por toda mucosa, submucosa e muscular, essa reação transforma a serosa normal brilhante em uma membrana vermelha infectada e granular. Em estágio seguinte, a exsudação neutrofílica da parece é mais avançada, com numerosos leucócitos polimorfonucleares dentro da muscular e uma reação fibrinopurulenta em camadas sobre a serosa. Com a piora da inflamação, há a formação de abscessos dentro da parede com ulcerações e focos de necrose supurativa na mucosa.

Uma piora adicional produz grandes áreas de ulceração hemorrágica esverdeada da mucosa, junto com necrose gangrenosa por toda parede, estendendo-se até a serosa; esse estágio antecede à ruptura.

O critério histológico para o diagnóstico da apendicite é a infiltração com leucócitos polimorfonucleares da muscular.

Apendicite Aguda Supurativa. Há, na imagem, ulceração da mucosa, exsudato neutrofílico, hemorragia e edema, além de fecalito na luz do órgão (Fonte: http://www.virtual.epm.br/cursos/patologia/histopato/apendicite1.htm)

A apendicite produz:

* Dor, inicialmente periumbilical que, depois, se desloca para o quadrante inferior direito;

* Náuseas e/ou vômito;

* Hipersensibilidade abdominal;

* Febrícula; e

* Elevação da contagem de leucócitos periféricos.

Esses sinais clínicos estão, normalmente, presentes. Porém, a hipersensibilidade pode estar ausente e a contagem de leucócitos periféricos pode ser tão alta a ponto de sugerir outros diagnósticos, o que, nesses casos, leva à dificuldade de diagnóstico. A demora em um diagnóstico pode levar a perfuração seguida de abscesso periapendicular e/ou peritonite.

A perfuração é mais comum em crianças devido à sua incapacidade de criar um processo de defesa para isolar a área por conta de seu omento curto e pouco consistente.

A apendicite pode causar também irritação no músculo psoas, gerando dor no quadril ou dor à extensão do quadril.

A apendicite no seu estado crônico é especialmente rara.

A cirurgia é, na esmagadora das vezes, indicada. Nos casos de inflamação simples, o apêndice é retirado; já quando existe um abscesso periapendicular, ele deve ser drenado e a ressecção do apêndice pode ser realizada. A apendicectomia pode ser aberta ou laparoscópica.

Apendicectomia Laparoscópica

Bibliografia: Patologia – Estrutural e Funcional (Ramzi S. Cotran, Vinay Kumar e Stanley L. Robbins) – 4ª edição

                          Fundamentos de Cirurgia (David C. Sabiston e H. Kim Lyerly) – 2ª edição

                          Anatomia Orientada para a Clínica (Keith L. Moore e Arthur F. Dalley) – 4ª edição