Definição

                É tanto um sintoma quanto um sinal. Como sintoma ela é relatada como uma redução na consistência das fezes e um aumento no volume das mesmas, os pacientes empregarão termos para descrever a frequência, a urgência e a incontinência fecal. Já como sinal, a diarreia é definida como um peso fecal que excede 200g em 24 horas.

Fisiopatologia

                Numerosos mecanismos podem causar a diarreia, no entanto, a maior parte dos estados diarreicos é causada por absorção inadequada de íons, solutos e de água ou por secreção aumentada de eletrólitos, o que resulta em acúmulo de água no lúmen.

                Diarreia secretória: é causada por um transporte iônico anormal através do epitélio intestinal, o que resulta em absorção diminuída, aumento na secreção ou em ambas. São tipicamente causadas por mediadores neuro-humorais e/ou toxinas bacterianas que afetam os níveis intracelulares de AMPc, GMP cíclico e/ou cálcio. Níveis elevados destes segundos mensageiros intracelulares, por sua vez, inibem a absorção eletroneural de cloreto de sódio e induzem à secreção de cloreto, sendo o resultado líquido um aumento no acúmulo de água no lúmen do intestino.  Um exemplo de diarreia secretória é a cólera. Clinicamente as diarreias secretórias apresentam alto débito (frequência > 1L/dia), persistem durante o jejum e apresentam uma lacuna osmótica mínima (< 50 mOsm) nas fezes, pois somente a secreção de sal está causando a diarreia.

                Diarreia osmótica: é simplesmente causada por níveis excessivos de solutos osmoticamente ativos, mal absorvidos, dentro do lúmen. Duas características clínicas são importantes: a diarreia para quando o paciente jejua, pois ele não está mais ingerindo os agentes osmóticos pouco absorvíveis ou os nutrientes que ele absorve mal; a análise das fezes revela uma lacuna osmótica aumentada devido à presença nas fezes de agentes osmoticamente ativos e/ou não absorvíveis.

                Diarreia exsudativa: condições inflamatórias ou infecciosas que resultam em danos à mucosa intestinal podem causar diarreia por numerosos mecanismos, interferindo com a absorção, induzindo a secreção, afetando na motilidade, todas contribuindo para diarreia.

                Motilidade intestinal anormal: pode causar diarreia por meio de dois mecanismos. (1) Motilidade aumentada, resultando em transito intestinal rápido e tempo de contato diminuído entre os conteúdos luminais e células epiteliais absortivas. (2) Motilidade diminuída, causada por doenças como a esclerodermia ou o diabetes, estas doenças promovem a estase no intestino delgado, que pode resultar em crescimento excessivo de bactérias, na sua maior parte anaeróbias, que desconjugam os ácidos biliares, causando esteatorreia e diarreia.

Avaliação da diarreia

                História e exame físico

                A duração da diarreia é particularmente útil, pois a maioria das diarreias agudas (dura menos que 4 semanas) é causada por patógenos microbianos e tipicamente cedem independentemente de uma intervenção.

Imagem

                A diarreia crônica, definida como aquela que dura mais de 4 semanas, provavelmente não será infecciosa, no entanto, certas infecções parasitárias persistentes, como a giardíase e as síndromes pós virais que resultam em atividades persistentemente perturbadas nas atividades de enzima da borda em escova e nas atividades de transporte, podem se manifestar como quadro diarreico de disarbsorção crônica.

Imagem

                A presença de sangue também é uma pista importante, pois sugere inflamação, neoplasia, isquemia ou infecções por organismos invasivos. Uma diarreia de grande volume sugere doença do intestino delgado ou cólon direito, em contraste frequentes evacuações com pequenas quantidades de fezes com urgência associada sugerem doença do cólon esquerdo e/ou retal.