Dentre os tumores primários do fígado, o mais frequente é o hepatocarcinoma ou carcinoma hepatocelular. Apresenta alta mortalidade e péssimo prognóstico. A incidência de câncer de fígado vem aumentando, principalmente devido à infecção crônica por HCV e HBV. Há um predomínio no sexo masculino de 2,4:1, frequentemente entre 20 e 40 anos de idade.

 

Etiologia:

Quatro são os fatores etiológicos principais: alcoolismo crônico (cirrose), hepatite B e C, esteato-hepatite não alcoólica, consumo de alimento contaminado por aflatoxinas (substancia produzida pelo fungo Aspergillus flavus, encontrado principalmente em cereais mal conservados). Contudo, estão envolvidos com o desenvolvimento do carcinoma hepatocelular também a tirosinemia, a hemocromatose hereditária, bem como a deficiência da α1-antitripsina.

 

Morfologia:

Pode formar um nódulo único (geralmente grande); entretanto, é frequente encontrar múltiplos nódulos de tamanho variável; podendo apresentar-se difusamente infiltrado (pior prognóstico). Principalmente o padrão unifocal e o multinodular podem apresentar hepatomegalia, enquanto o difuso pode tornar-se imperceptível em um fígado cirrótico.

Figura 1. Carcinoma hepatocelular: (A) neoplasia unifocal maciça, que substitui a maior parte do lobo hepático direito do fígado; (B) microscopia de lesão bem diferenciada, as células tumorais estão arranjadas em ninhos e algumas vezes com luz central.

 

Sintomas:

Dor abdominal alta pouco definida, massa abdominal, perda de peso sem causa aparente, anorexia, mal-estar, fadiga, ascite, pode-se encontrar em alguns casos icterícia, febre e hepatomegalia à palpação. Alguns pacientes poderão evoluir para ruptura espontânea do tumor, caracterizada por dor súbita e de forte intensidade no hipocôndrio direito, seguida de choque hipovolêmico por sangramento intra-abdominal. A maioria dos pacientes apresenta anormalidade dos níveis de bilirrubina, fosfatase alcalina e transaminases.

 

Diagnóstico:

Exames laboratoriais: esse tumor é caracterizado pela elevação da α- fetoproteína sérica em 50% dos pacientes, cuja dosagem auxilia o diagnóstico e o acompanhamento da evolução da doença.  No entanto, exames laboratoriais para essa proteína deixam de detectar lesões pequenas do carcinoma hepatocelular, além de apresentar resultados falso-positivos em condições não neoplásicas como cirrose, hepatite crônica, gravidez.

Tomografia Computadorizada: quando realizada com contrataste endovenoso dinâmico, em lesões maiores de 3cm, permite identificar alterações malignas do fígado com exatidão de 75% a 90%.

Ressonância Nuclear Magnética (RNM): sem necessidade de contraste venoso, esse exame define melhor a extensão do tumor nos pacientes com cirrose hepática, permite localizar os vasos principais, sem precisar diferenciar lesões císticas.

Figura 2. Carcinoma hepatocelular: imagem de ressonância magnética ponderada em T1, durante as fases (A) arterial e (B) portal após administração de contraste.

 

Tratamento:

Em tumores hepáticos primários, como o carcinoma hepatocelular, o tratamento mais indicado, na ausência de metástases, é o cirúrgico. No entanto, a indicação de uma cirurgia de ressecção hepática dependerá do estado clínico do paciente e da quantidade prevista de parênquima hepático íntegro, que deve ser em torno de 10% do peso corporal. Observam-se avanços técnicos científicos, como quimioembolização e ablação por radiofrequência, no controle local de grandes tumores; bem como segmentectomia anatômica, em tumores menores de 2cm, e crioterapia.

A radioterapia pode ser usada para alivio dos sintomas; entretanto, devido à baixa tolerância do parênquima hepático à radiação, a dose tolerada não promove uma ação antitumoral efetiva, nem causa o controle da lesão.

 

Referências Bibliográficas:

Robbins SL, Cotran SR, Kumar V; Abbas A, Fausto N, Aster J. Bases Patológicas das Doenças. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

Goldman L, Ausiello D. Cecil Medicina. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

INCA: Câncer de Fígado. Disponível em http://www.inca.gov.br.