Por Hélio Iglesias Siedler

Definição

Edema é a elevação da quantidade de liquido nos espaços teciduais intersticiais. No pulmão, agudamente, caracteriza-se pela distensão dos capilares alveolares com sangue, podendo haver edema septal alveolar associado com hemorragia intra-alveolar focal. Cronicamente, os septos estão espessos e fibróticos, e nos espaços alveolares podem conter numerosos macrófagos carregados de hemossiderina (células da insuficiência cardíaca). Sempre haverá barreira mecânica à hematose.

 Etiologia

Qualquer fator passível de elevar a pressão do liquido intersticial pulmonar da faixa negativa para a faixa positiva irá acarretar o súbito enchimento dos espaços intersticiais pulmonares e, nos casos mais graves, dos alvéolos com grandes quantidades de liquido livre. As causas habituais são:

  • Insuficiência cardíaca esquerda (causa hematogênica) ou valvulopatia mitral;
  • Lesão de epitélio pulmonar ou endotélio capilar (gases, infecções)
  • Outras: medicamentos, doenças renais, deficiência de proteínas circulantes.

Fisiopatologia

O pulmão tem, basicamente, 3 fatores de segurança contra o edema pulmonar:

  • Negatividade da pressão do liquido intersticial nos pulmões
  • Bombeamento linfático de liquido para fora dos espaços intersticiais
  • Osmose aumentada de liquido para dentro dos capilares pulmonares, causada pela redução da proteína no liquido intersticial quando aumenta o fluxo linfático

Esses fatores devem ser vencidos para que ocorra edema. Uma vez que isso aconteça:

1) aumento do fluxo de líquidos dos capilares para o interstício, sem que se detecte, ainda, aumento do volume intersticial pulmonar devido ao aumento paralelo, compensatório, da drenagem linfática;

2) o volume que é filtrado pelos capilares ultrapassa a capacidade de drenagem linfática máxima e inicia-se o acúmulo de líquido no interstício; inicialmente, este ocorre de modo preferencial junto aos bronquíolos terminais, onde a tensão intersticial é menor;

3) aumentos adicionais do volume, no interstício, terminam por distender os septos interalveolares e conseqüente inundação dos alvéolos.

Edema por Insuficiência cardíaca esquerda

Quando o coração esquerdo se torna insuficiente, o sangue começa a acumular-se no átrio esquerdo, aumentando, consequentemente, a pressão atrial esquerda. Quando essa elevação supera 7 a 8mmHg, qualquer aumento adicional dessa pressão aumenta quase igualmente a pressão capilar, podendo levar ao edema pulmonar. Em outras palavras, a pressão nas veias pulmonares eleva-se e é, por fim, transmitida retrogradamente para os capilares e artérias, causando congestão e edema. Trata-se de um transudato perivascular intersticial, um alargamento edematoso progressivo dos septos alveolares e acúmulo de liquido edematoso nos espaços alveolares.

Propedêutica (semiologia)

As alterações estão associadas às seguintes manifestações clínicas:

Fase 1: Dispnéia de esforço;

Fase 2: (líquido no interstício) Broncoespasmo reflexo, taquipnéia, ortopnéia, dispnéia paroxística noturna; Ausculta: sibilos expiratórios; borramento Peri-hilar bilateral e espessamento dos septos interlobulares;

Fase 3: (líquido nos alvéolos) Intensa dispnéia, ansiedade, posição ortostática, tiragem, dispnéia paroxística noturna palidez cutânea, cianose de extremidades, agitação, respiração ruidosa; Ausculta: estertores grossos, sibilos e roncos, inicialmente basais mas difusos em pouco tempo. Expectoração de liquido róseo e espumoso pelas vias aéreas superiores. Sensação de afogamento. Depressão respiratória e morte.

Diagnostico

Clínico, principalmente

Radiografia de Tórax (complementar)



Referências Bibliográficas:

Guyton, A. C. ; Tratado de Fisiologia Médica 11ª ed.;

Robbins & Cotran ; Bases Patologicas das Doenças 7ª ed.;

Porto, Celmo Celeno; Exame Clínico Bases para a Prática Médica 6ª ed.;

CASTRO RBP. Edema pulmonar agudo. Medicina, Ribeirão Preto, 36: 200-204, abr./dez. 2003.

http://meded.ucsd.edu/clinicalimg/index.html