Por Érika Clarissa O. Euro Lima

Apresentação

Enfisema faz parte do grupo de patologias chamado “Doenças pulmonares obstrutivas crônicas”, juntamente com bronquite. Esta doença progressiva pode ser causada por um processo inflamatório anormal nos tecidos pulmonares, após a exposição a partículas nocivas ou gases tóxicos (tabagismo, durante o trabalho ou em decorrência da poluição atmosférica), como também por fatores genéticos, como deficiência de alfa-1-antitripsina¹ (mais rara).

Os alvéolos de um pulmão sadio possuem uma capacidade de extensão e contração durante a respiração, que permite as trocas de CO2 e O2 entre o ar e o sangue circulante. Porém com a destruição gradual destes tecidos alveolares, ocorre diminuição da elasticidade e da capacidade de realizar estas trocas gasosas. O alvéolo começa a aprisionar o ar inspirado, que não sai por completo e provoca um estado de hiperinsuflação. A destruição do tecido elástico também dificulta a abertura adequada dos bronquíolos durante a respiração.

¹ Tem função de inibir a elastase neutrofílica, uma protease que tem como função fazer a hidrólise das fibras de elastina no pulmão.

Definição
Alargamento do espaço aéreo distal ao bronquíolo terminal (ácino pulmonar), destruição do parênquima sem fibrose evidente, perda da elasticidade pulmonar e fechamento das vias aéreas

Anatomia (alvéolo)

Alvéolos saudáveis são minúsculos, numerosos, esponjosos e elásticos. No enfisema, são maiores, menos numerosos e comparativamente mais rígidos.

Epidemiologia
O cigarro é o agente causador da doença em 90% dos casos (20% d@s fumantes desenvolvem DPOC)
Estima-se que 6% a 7% da população com mais de 40 anos tenha o problema
É uma doença em que o paciente falece “sufocado pelo próprio ar”

Semiologia

Sintomas:
Os mais comuns costumam ser dispnéia, tosse, produção de muco (há cheiro, se houver infecção) e respiração difícil. No início, paciente costuma se queixar de dispnéia aos médios e grandes esforços, mas com o avançar do enfisema, a falta de ar ou de fôlego se agrava e prolonga com o tempo (má tolerância aos esforços, ou seja, sente falta de ar ao realizar tarefas simples, como se vestir).

Anamnese:
Devemos nos focar na quantidade e duração dos sintomas e hábitos ocupacionais, além  do tabagismo. A idade acima de 40 anos também é considerada fator de risco. Paciente também deve ser questionado quanto a posição adotada para dormir (costuma usar mais travesseiros, ficar mais inclinado).
Os sintomas não são suficientes para o diagnóstico preciso da patologia.

Exame físico:
Observa-se a expiração prolongada, posição ortopnéica, uso de musculatura acessória apoiando os braços na cama levantando os ombros.

# Inspeção: tórax em barril ou hiperinsuflado; expansibilidade diminuída; dispnéia; taquipnéia (a fim de compensar a baixa oxigenação); fase expiratória prolongada; respiração com lábios semicerrados; ritmo respiratório obstruído; uso de musculatura acessória; tiragem intercostal; cianose. Sinal de Hoover – rebaixamento do diafragma.
# Palpação: expansibilidade diminuída; frêmito toracovocal (FTV) diminuído; espaço entre a fúrcula e a cartilagem cricóide está diminuído (o espaço normal são 4 dedos; nos DPOCs, 2) por causa da hiperinsuflação dos pulmões.
# Percussão: Hiperressonância (acúmulo de ar)

# Ausculta pulmonar: diminuição do murmúrio; sibilos (mais freqüentes no caso de bronquite); crepitações; estertores bolhosos, no caso de secreção.

Ectoscopia: Pink-puffers: tipo A– indivíduo magro, rosado, longilíneo, usa o ponto de ancoragem, dispnéia intensa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fatores de risco:
Tabagismo
Baixo nível socioeconômico (associado à baixa escolaridade e acesso a informação)
Exposições ocupacionais (poluição, por exemplo)
Moradia urbana (doença mais prevalente que na zona rural)
Infecções na infância
Hereditariedade (deficiência da alfa-1-antitripsina: 1% da população, mais comum em homens com 30-40 anos, com alta mortalidade e péssimo prognóstico)
Hiper-reatividade brônquica
Idade acima de 40 anos
Cor branca
Homens

Diagnóstico

 

 

 

 

 

 

 

 

Raio-X – interpretação radiológica: pulmão com “excesso” de ar, bastante hiperinsuflado, com menos vasos, retificação dos arcos costais e aumento dos espaços intercostais.
Obs: podem aparecer “bolhas escuras” no Raio-X (de ar).

Tomografia de tórax

Broncoscopia: não é válida, pois apenas avalia a árvore traqueobrônquica.

Biópsia de brônquio: mais adotada, já que mostra hipertrofia e hiperplasia glandular.

Espirometria diagnóstica²: redução da força de retração elástica pulmonar, tornando a expiração ativa, o que leva ao fechamento e aumento de resistência das vias aéreas com diminuição dos fluxos expiratórios, causando um aprisionamento de ar. É exame de alta especificidade, detecta DPOC em estágios iniciais, quando não há manifestação clínica da doença.

Gasometria arterial²: importante para verificar os valores de gás carbônico e oxigênio circulantes, podendo ser um indicativo de DPOC. No paciente com enfisema, pode-se encontrar um baixo nível de oxigenação e alta retenção de CO2.

² Avaliação funcional

Prevenção

Evitar o fumo e exposição a agentes tóxicos suspensos no ar (poluentes, por exemplo)
Vacinação contra gripe e contra pneumococos pode diminuir a incidência de complicações respiratórias
Exercícios físicos são positivos no sentido de melhorar a qualidade de vida e reduzir o número de internações hospitalares

Obs: A interrupção do tabagismo também é benéfica em qualquer fase da doença, pois não acelera a progressão dela.

Tratamento

Inicialmente, é necessário distinguir um quadro crônico, mas estável do agudo, exacerbado. Quando há uma infecção concomitante, observa-se a evolução do muco com aspecto mucóide para purulento, optando por antibioticoterapia.

São utilizados brondilatadores (poucos efeitos benéficos, mas utilizados por via inalatória), anti-inflamatórios corticosteróides (via inalatória ou oral), terapia com oxigênio (suplemento de oxigênio complementar), cirurgia de redução dos pulmões (melhoria mecânica respiratória ou retirada de bolhas de ar de grande tamanho), transplante de pulmão (devido aos riscos é viável apenas para um pequeno grupo de pacientes, em casos muito graves) e programa de exercícios físicos. Experimentalmente, tem sido utilizada a terapia de células-tronco, com resultados promissores.

Também é importante ressaltar o papel fundamental da mudança dos hábitos de vida da pessoa, como suspender completamente o fumo e a exposição aos agentes agressores dos pulmões.

 

Vídeo da cirurgia de redução pulmonar: 

 

Recomendações:

A fim de diminuir os esforços e desgaste da pessoa com enfisema pulmonar ou perda funcional parcial dos pulmões, algumas atitudes podem facilitar o dia-a-dia dela, como descansar ao sentir falta de ar, planejar os afazeres, estabelecer prioridade e método para realizar as atividades diárias, controlar o esforço físico, sentar-se ao se barbear, vestir ou maquiar, usar roupas folgadas, emagrecer, entre outras.

Referências: http://www.copacabanarunners.net/enfisema.html; http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?179; http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?179; http://www.mdsaude.com/2010/04/dpoc-enfisema-bronquite-cronica.html; http://drauziovarella.com.br/doencas-e-sintomas/enfisema/