Por Vânia Silva Lugo

Rinite

São divididas em alérgicas e não alérgicas. As rinites infecciosas virais, que são não alérgicas, são as mais comuns.

Sua característica é uma inflamação eosinofílica da mucosa nasal e dos seios paranasais, de caráter crônico, resultante de uma reação mediada por imunoglobulinas E (IgE).

Fisiopatologia: O início do processo ocorre quando os antígenos depositados na mucosa são processados pelas células de Langerhans e outras células apresentadoras de antígeno. Esse será apresentado aos linfócitos T auxiliares que irão se diferenciar em Th 2 que, ao liberarem suas citocinas, mantém o ambiente com características atópicas. Sob ação das citocinas as células B diferenciam-se em plasmócitos produtores de IgE, que se ligam aos receptores de alta afinidade existente nos mastócitos. Os primeiros sintomas após o contato com o antígeno são prurido, espirros e rinorréia, seguidos de obstrução nasal, sinais indicativos de liberação mastocitária.

Quadro clínico: O prurido pode se limitar ao nariz, mas também afetar palato, olhos, faringe e laringe, assim como orelhas. A rinorréia normalmente é aquosa, sendo anterior, posterior ou ambas. Há espirros e podem surgir roncos. Sintomas oculares incluem prurido, lacrimejamento e hiperemia conjuntival.

Exame físico: O exame da face pode evidenciar edema das pálpebras e cianose periorbitária, em razão de estase venosa secundária à obstrução nasal crônica. Na pirâmide nasal, encontra-se uma prega acima da ponta nasal, resultado de frequentes movimentos de suspensão da ponta no ato de coçar e para evitar a rinorréia. O exame das fossas nasais é variável, podendo revelar mucosa das conchas hiperemiadas ou pálida, edematosa, coberta por fina secreção hialina.

Diagnóstico: O diagnóstico de rinite é essencialmente clínico e devem ser avaliados o tempo de evolução da rinite, as características dos sintoma da rinite alérgica e se há sintomas associados, como asma e urticária, características do ambiente de habitação e trabalho e histórico familiar de rinite alérgica ou atopia.

Rinossinusites

A sinusite é um processo inflamatório envolvendo a membrana mucosa de um ou mais seios da face. Em geral, a mucosa nasal também está acometida. Por causa do envolvimento comum do nariz e seios da face, a terminologia mais aceita é rinossinusite.

A rinossinusite aguda é definida como a inflamação aguda da mucosa que reveste a cavidade nasal e os seios paranasais. Ocorre, em geral, após infecção das vias aéreas superiores (IVAS) viral ou após inflamação alérgica, sendo o seu fator de risco mais importante a IVAS de origem viral ( 0,5 a 2% apresentam evolução para rinossinusite bacteriana).

Fisiopatologia: Em geral, a rinossinusite aguda inicia-se por meio de um processo inflamatório da cavidade nasal, que por causa do edema local provoca obstrução dos óstios de drenagem dos seios paranasais. A abertura desses óstios para a região do meato médio em que estruturas estão muito próximas, quando houver edema de mucosa, pode facilitar o bloqueio na drenagem das secreções (principalmente se houver deformidades anatômicas associadas). Com isso, pode ocorrer redução da atividade mucociliar e, consequentemente, estagnação de secreção com diminuição de pH e da oxigenação nas cavidades, propiciando um meio adequado para a proliferação de bactérias, formando assim um ciclo vicioso.

Na rinossinusite aguda, as citocinas pró-inflamatórias, como IL-beta, IL-6 e IL-8 estão em níveis elevados, gerando quimioatração de neutrófilos, e uma cadeia de reações inflamatórias inespecíficas, autolimitadas e com resolução completa  em alguns dias.

A hipoxia que ocorre dentro dos seios propicia uma disfunção ciliar com estagnação da secreção e alteração da sua viscosidade, propiciando um meio de cultura adequado para a proliferação bacteriana.

Diagnóstico clínico: Semelhante à IVAS viral, os sintomas apresentado pelo paciente com rinossinusite aguda são obstrução nasal, congestão, rinorréia  e espirros, associados a manifestações sistêmicas infecciosas como febre baixa, mal-estar e astenia. O diagnóstico de rinossinusite costuma basear-se em evidências clínicas e na duração dessa sintomatologia, ou seja, quando os sintomas persistirem por mais de 10 dias, sem evidências de melhora, ou se houver piora após o quinto dia, com sintomas de hipertermia elevada, rinorréia purulenta abundante, obstrução nasal de início súbito e, alguns casos, associação com edema periorbital ou dor facial.

Estudos realizando punção de seio maxilar têm mostrado que a persistência de sintomas por além de 10 dias é mais sugestiva de rinossinusite  bacteriana do que viral.

A probabilidade de um diagnóstico correto aumenta se os sintomas de IVAS viral persistirem por, pelo menos, 7 dias e se o paciente tiver, pelo menos, dois dos seguintes sintomas: secreção nasal purulenta sem resposta a descongestionantes; dor facial, particularmente agravada pela manobra da valsalva; alterações posturais ou cefaleia.

Sintomas fortemente sugestivos de rinossinusite bacteriana aguda: dor unilateral infraorbital exacerbada ao inclinar a cabeça para a frente e dor referida dental associada com secreção nasal purulenta unilateral. Os sintomas dor e secreção devem estar presentes por, pelo menos, 72h.

A punção de seios paranasais, seguida de cultura bacteriana, é um exame de referência para diagnóstico de rinossinusite bacteriana aguda, porém não é indicada de rotina por ser muito invasiva, sendo reservada para casos específicos (complicações, falta de resposta ao tratamento antimicrobiano empírico e pacientes imunodeprimidos).

A Rinossinussite Crônica caracteriza-se pela manifestação clínica de enfermidades que acometem a mucosa nasossinusal, de etiologia infecciosa ou inflamatória, por um período maior que 12 semanas. O período entre 4 e 12 semanas é chamado de rinossinusite subaguda.

Atualmente, sabe-se que cerca de 15% da população sofre de rinossinusite crônica, com alta prevalência em crianças.