Por Mariana Ferreira de Oliveira

Faringite Aguda

Etiologia: uma grande variedade de microorganismos pode causar faringite. No seu conjunto, os vírus respiratórios são a causa identificável mais comum, tendo como agentes os rinovírus, coronavírus, influenza, parainfluenza e adenovírus. A faringite bacteriana aguda é tipicamente causada pelo Streptococcus pyogenes, que corresponde por cerca de 5 a 15% dos casos em adultos, sendo mais prevalente em pessoas entre 5 e 15 anos de idade.

Manifestações Clínicas: A apresentação clínica por vezes sugere maior probabilidade para determinada etiologia. A faringite por vírus respiratórios geralmente não é grave e costuma estar associada a um conjunto de sintomas relacionados com a secreção. A febre é rara e não há exudatos faríngeos ou adenopatia cervical dolorosa. Já a faringite por vírus influenza pode ser grave, freqüentemente associada à febre, mialgias, cefaléia e tosse. As causadas por adenovírus podem se apresentar com conjuntivite associada em 33 a 50% dos pacientes. As manifestações clínicas da faringite por estreptococos variam desde uma doença relativamente leve, com poucos sintomas, a casos clinicamente graves, com dor faríngea intensa, febre, calafrios e dor abdominal. Em geral, há hiperemia de membrana faríngea com hipertrofia de amígdalas e exsudato, além de adenopatia cervical dolorosa. Não costuma haver coriza e tosse.

IMPORTANTE: algumas cepas que produzem toxinas eritrogênicas podem causar escarlatina, que tem como características um exantema eritematoso e a língua em framboesa.

OBS: Diagnóstico diferencial:

*o quadro de faringite exsudativa aguda, com febre, fadiga, linfadenopatia generalizada e, às vezes, esplenomegalia, é característico da mononucleose infecciosa causada pelo EBV ou do CMV.

*a infecção primária aguda pelo HIV muitas vezes está associada à febre e faringite aguda, mas também há associado mialgias, artralgias, mal-estar e , às vezes , um exantema maculopapular não pruriginoso, que pode ser sucedido por linfadenopatia e ulcerações da mucosa sem exsudato.

Diagnóstico: seu objetivo básico é distinguir a faringite estreptocócica de outras etiologias. A cultura de swabs da garganta costuma ser considerada o padrão-ouro. Há também testes rápidos de detecção de antígeno que têm especificidade elevada (maior que 90%), mas sensibilidade baixa.

Tratamento: Recomenda-se antibioticoterapia nos casos em que tenha sido confirmado o S. pyogenes como agente etiológico ou quando for identificada outra etiologia bacteriana. Esse tratamento oferece vários benefícios, incluindo a diminuição do risco de febre reumática. Quando se institui a terapia nas primeiras 48 horas após o início da doença, a duração dos sintomas também diminui. Os tratamentos eficazes são penicilina benzatina em dose única IM ou penicilina oral por 10 dias. Uma alternativa à penicilina é a eritromicina. A profilaxia com penicilina (penicilina G benzatina 1200000U IM a cada 3 a 4 semanas) é indicada aos pacientes sob risco de febre reumática recorrente. O tratamento a faringite viral é exclusivamente sintomático.

Complicações: A febre reumática é a complicação mais conhecida da faringite estreptocócica, mas a antibioticoterapia é capaz de prevenir o seu surgimento. Outras complicações são a glomerulonefrite aguda e diversos distúrbios supurativos.

Amigdalite

Corresponde a um processo infeccioso das tonsilas palatinas.

Etiologia: A amigdalite pode ter origem viral, com os agentes adenovírus, Epstein-barr, CMV. Quando os vírus diminuem as resistências locais, pode predispor infecção por bactérias, como Estreptococos, Estafilococos, Pneumococos.

Manifestações Clínicas: os achados clínicos envolvem febre alta, amígdalas hiperemiadas e hipertróficas, podendo estar cobertas de pus, mal estar, anorexia e aumento de gânglios linfáticos cervicais. A amigdalite bacteriana também pode apresentar petéquias no palato.

Diagnóstico: define-se pela caracterização do quadro clínico e pode-se realizar swab de garganta para confirmar infecção estreptocócica.

Tratamento: a amigdalite geralmente melhora dentro de uma semana, mas antibióticos são administrados para prevenir complicações. O tratamento preferencial é com antibióticos derivados da penicilina, como a amoxacilina, devendo ser feito por 10 dias ou penicilina benzatina IM em dose única. Nos pacientes alérgicos à penicilina, uma opção é a azitromicina por 5 dias.

O tratamento também pode ser cirúrgico, com a retirada das amígdalas (amidalectomia). É uma opção em crianças que apresentam mais de 6 episódios de faringite estreptocócica por ano. Em adultos, a cirurgia é mais controversa, pois há a possibilidade de este passar a apresentar crises de faringite. Algumas das indicações são:

Absolutas: aumento exagerado do tamanho das amígdalas com dificuldade na deglutição ou em respirar.

Relativas: amigdalites de repetição, abcessos periamigdalianos, mau hálito constante por amigdalites crípticas, apnéia obstrutiva do sono, quando existe grande hipertrofia de amígdalas.

Complicações: abscesso periamigdaliano, alterações renais, vasculares, viscerais, febre reumática.

Laringite

Corresponde a qualquer processo inflamatório que envolva a laringe, podendo ter causas infecciosas ou não.

Etiologia: Os vírus respiratórios estão relacionados à laringite a aguda, como o rinovírus, influenza, parainfluenza, Coxsackie, coronavírus e sincicial respiratório. Porém, pode estar associada a infecções respiratórias bacterianas agudas, como as causadas por estreptococos do grupo A.

Manifestações Clínicas: Caracteriza-se por rouquidão e também pode estar associada à redução do timbre da voz ou afonia. Como a principal causa de laringite são os vírus respiratórios, esses sintomas costumam ocorrer junto com outros como rinorréia, congestão nasal, tosse e dor de garganta.

Diagnóstico: baseia-se nos achados clínicos. A laringoscopia direta muitas vezes revela eritema laríngeo difuso e edema, com ingurgitamento vascular das pregas vocais. Em pacientes com doenças crônicas também pode haver nódulos mucosos e ulcerações visíveis, sendo às vezes confundidas com câncer de laringe.

Tratamento: geralmente, o tratamento consiste apenas em umidificação e repouso da voz. Não se recomendam antibióticos exceto se tiver sido isolado um estreptococo do grupo A em cultura, caso em que a penicilina é o fármaco preferido. A escolha do tratamento da laringite crônica depende do patógeno, cuja identificação geralmente exige biópsia e cultura.