Por Ellen Simionato Valente

Pneumonias Atípicas são aquelas pneumonias causadas por agentes diferentes dos comuns, tipicamente bactérias, vírus ou fungos. Os microorganismos mais frequentes que podem causar a pneumonia atípica são o Mycoplasma e Chlamydia, sendo tais agentes semelhantes às bactérias. Mycoplasma pneumoniae é o microorganismo que mais frequentemente causa a doença em indivíduos entre 5 e 35 anos de idade. Tende a ocorrer em grupos fechados como famílias e militares. Como o período de incubação dura entre 10 e 14 dias, a epidemia tende a se alastrar lentamente. É uma pneumonia atípica que é mais comum durante a Primavera. Os sintomas geralmente incluem: cansaço, inflamação da garganta e tosse seca. Há piora gradativa dos sintomas com possível expectoração devido à tosse severa. Cerca de 10% a 20% podem apresentar erupções cutâneas. Anemia, dores articulares ou perturbações neurológicas também podem acontecer. Os sintomas persistem durante uma a duas semanas, e o processo de melhora é lento. Embora possa ser grave, habitualmente é rápida e a maioria dos doentes se recupera sem qualquer tratamento. Chlamydia pneumoniae é o outro agente, que assim como o anterior, afeta com mais freqüência pessoas entre 5 e 35 anos de idade, podendo também afetar pessoas mais velhas. É transmitida de pessoa a pessoa, devido às partículas expelidas pela tosse. Os sintomas são parecidos com os da pneumonia atípica por Mycoplasma. Geralmente não é grave, no entanto, de 5% a 10% dos adultos de mais idade que contraem a doença, morrem.

Tabela 1 - Etiologia da pneumonia adquirida na comunidade após a validação radiológica por observadores independentes e classificação sorológica.

Fisiopatologia

O Mycoplasma pneumoniae é um organismo pleomórfico que, ao contrário das bactérias, não tem parede celular, e ao contrário dos vírus, não precisa de uma célula hospedeira para replicação. A tosse prolongada paroxística vista nessa doença acontece devido à inibição, pelo agente, do movimento ciliar. M. pneumoniaetem uma mobilidade notável que lhe permite escavar entre os cílios, dentro do epitélio respiratório, eventualmente causando descamação das células epiteliais respiratórias. O microorganismo tem afinidade seletiva para células epiteliais respiratórias e capacidade de produzir peróxido de hidrogênio, que é, supostamente, o responsável por grande parte do rompimento celular no trato respiratório. A patogenicidade tem sido associada à ativação de mediadores inflamatórios, incluindo citocinas. O diagnóstico é baseado numa análise de sangue para detectar os anticorpos face ao microorganismo em suspeita, e a partir de radiografias de tórax. O tratamento é feito com Eritromicina e Tetraciclina, sendo que a resposta ao tratamento é mais lento quando a pneumonia é causada por clamídias, quando comparado àquela causada por micoplasmas.

Paciente de 40 anos de idade com pneumonia por Chlamydia pneumoniae. Radiografia de tórax mostra consolidação multifocal irregular nos lobos superior direito, médio e inferior.

Paciente de 38 anos de idade com pneumonia por Mycoplasma pneumoniae. Radiografia de tórax mostra uma vaga opacidade mal definida no lobo inferior esquerdo.

Tomografia torácica de paciente com 45 anos de idade, com pneumonia por Chlamydia pneumoniae, mostra o lobo direito superior infiltrado.

Fontes: Rocha, Rosali Teixeira; Vital, Anna Cristina; Silva, Clystenes Odyr Santos; Pereira, Carlos Alberto de Castro; Nakatani, Jorge. “Pneumonia adquirida na comunidade em pacientes tratados ambulatorialmente: aspectos epidemiológicos, clínicos e radiológicos das pneumonias atípicas e não típicas.” Jornal Brasileiro de Pneumologia. Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – Departamento de Patologia.

http://www.manualmerck.net/?id=67&cn=747

http://emedicine.medscape.com/article/363083-overview

http://emedicine.medscape.com/article/1941994-overview#a0104