Por Larissa Rosa

Patogenia:                             

Fibrose é o termo usado mais amplamente para denotar a deposição excessiva de colágeno e outros componentes da matriz extracelular em um tecido. Essa deposição é uma tentativa de cicatrização do defeito causado por um estimulo nocivo e geralmente ocorre em doenças crônicas em que a lesão tecidual é persistente. Porém, essa deposição de tecido fibroso pode levar a disfunção do órgão e muitas vezes torná-lo insuficiente. Na fibrose pulmonar, os alvéolos vão sofrendo progressivamente a deposição de tecido cicatricial e perdem a capacidade de fazer as trocas gasosas, o que provoca diminuição da concentração de oxigênio no organismo.

Sinais e Sintomas:

Os sinais sintomas dependem da extensão da lesão pulmonar, da velocidade com que a doença evolui e da presença de complicações (por exemplo, infecções e insuficiência cardíaca). Os sintomas principais apresentam um início insidioso, como dificuldade respiratória durante o esforço. Os sintomas mais comuns são tosse, perda de apetite, perda de peso, cansaço, fraqueza e dores vagas no tórax. A fibrose pulmonar causada por uma doença pulmonar crônica subjacente pode levar a uma hipertensão pulmonar, que provoca uma sobrecarga de pressão no ventrículo direito, que com o tempo leva a uma hipertrofia, dilatação e insuficiência do ventrículo direito. Esta cardiopatia hipertensiva é conhecida como cor pulmonale.

Etiologia:

As causas de fibrose pulmonar são diversas, algumas delas são: alterações do sistema imune como artrite reumatóide, esclerodermia, e raramente lúpus eritematoso sistêmico; infecções (vírus, Micoplasma, Riquétsias, tuberculose); edema pulmonar crônico. Existe um grupo de distúrbios classificados como Doenças pulmonares intersticiais, que são caracterizadas predominantemente por inflamação e fibrose do tecido conjuntivo pulmonar e capacidade pulmonar total reduzida. É possível categorizar as Doenças pulmonares intersticiais em 2 grupos: aquelas com reação granulomatosa predominante(Sarcoidose); e aquelas com inflamação e fibrose predominantes, como a Fibrose pulmonar Idiopática, as pneumoconioses(Antracose, Silicose, Asbestose).

Devido ao expressivo número de doenças que cursam com fibrose pulmonar apenas algumas vão ser expostas aqui.

Pneumoconioses: Silicose

Silicose é uma doença pulmonar causada pela inalação da sílica. Atualmente é a doença ocupacional crônica mais prevalente no mundo, comum especialmente em mineiros e jateadores de areia. A silicose se apresenta após décadas de exposição como uma doença fibrosante, nodular de progressão lenta. Após a inalação, as partículas são fagocitadas pelos macrófagos. Dentro dos macrófagos a sílica provoca liberação de mediadores como TNF e citocinas fibrogênicas.

Morfologia: Nos estágios iniciais, a silicose apresenta-se macroscopicamente por nódulos distintos, pálidos a escurecidos( se tiver poeira de carvão associada) nas zonas superiores dos pulmões. Com a progressão da doença, os nódulos podem coalescer formando cicatrizes colagenosas duras, e se a progressão continuar , a coalescência das lesões pode produzir fibrose maciça progressiva. Os nódulos também podem sofrer amolecimento e cavitação se associado a tuberculose. Lâminas de calcificação podem ocorrer nos linfonodos e são observadas radiograficamente como calcificação em casca de ovo.

Curso clínico: As radiografias de tórax tipicamente exibem nodularidade nas zonas superiores do pulmão, porém as funções pulmonares são normais ou apenas moderadamente afetadas. A maioria dos pacientes não desenvolve falta de ar até o final da evolução, após fibrose maciça progressiva estar presente.  A doença mata lentamente, e o prejuízo da função pulmonar pode limitar a atividade severamente. A silicose também está associada a maior suscetibilidade à tuberculose.

Fibrose pulmonar idiopática

            Embora os agentes causadores da Fibrose pulmonar idiopática(FPI) permaneçam  desconhecidos, os conceitos de patogenia evoluíram ao longo dos anos. Atualmente, a patogenia mais aceita é que a FPI é causada por “ciclos repetidos” de ativação e lesão epitelial por algum agente não identificado. Ocorre inflamação e indução de uma resposta de células T caracterizada pela presença de eosinófilos e mastócitos. O significado desta resposta inflamatória é desconhecido. O reparo tecidual aberrante destes locais pode ser acionado por um agente fibrogênico, o TGF-b1, liberado pelas células alveolares lesadas, que ativa os fibroblastos, e faz deposição de colágeno.

Morfologia: As superfícies pleurais do pulmão apresentam aspecto de pedras de calçamento como resultado da retração das cicatrizes ao longo dos septos interlobulares. As lesões mais precoces contém proliferação fibroblástica intensa levando à focos fibroblásticos. A fibrose densa causa destruição da arquitetura alveolar e a formação de espaços císticos revestidos por pneumócitos tipoII hiperplásicos (Fibrose em favo de mel).

Curso clínico: A Fibrose pulmonar idiopática começa insidiosamente com dispnéia de esforço crescente e tosse seca. Hipoxemia, cianose e baqueteamento ocorrem tardiamente na evolução. A maioria dos pacientes apresenta deteriorização gradual de seu estado pulmonar, apesar do tratamento médico.

Edema pulmonar crônico

            Em casos em que há congestão pulmonar de longa duração, como na insuficiência cardíaca congestiva esquerda, há aumento da pressão hidrostática venosa no pulmão que leva a um edema pulmonar. Ocorre acúmulo de líquidos e hemáceas no espaço intersticial e intra-alveolar. As hemáceas vão ser fagocitadas por macrófagos, que posteriormente ficam com pigmentos de hemossiderina (células da insuficiência cardíaca). Há o desencadeamento da resposta reparadora com fibrose e espessamento do epitélio alveolar, que provoca prejuízo na função respiratória, dificuldade de realizar as trocas gasosas e ainda propicia o desenvolvimento de infecções.

Morfologia: Macrófagos contendo pigmentos de hemossiderina são abundantes. A fibrose e o espessamento das paredes alveolares fazem com que os pulmões encharcados fiquem firmes e castanhos (induração parda).

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